Blog de Escalada

Blog destinado a notícias de escalada, eventos, dicas de treinamentos, viagens
e opiniões pessoais a respeito do que cerca a escalada Brasileira e Mundial

Escalada en Cuba

Parece bobagem escrever isso mas há pessoas que não sabem : O mundo é enorme !

Apesar de termos 6 bilhões de pessoas nos locais de qualquer canto do mundo, ainda assim há lugares a se visitar muito interessantes.

Neste tipo de curiosidade, os escaladores Enzo Oddo e Nina Caprez embarcaram para Cuba para fazer escaladas, trekking e conhecer um dos países mais distantes em termos de nóticias e promoção de turismo de escalada.

Acompanhe os relatos, e fotos muito lindas em : http://www.prana.com/blog/

A aventura vai virar filme, e você pode ver como baixar o filme quando disponível em : http://www.barakaflims.com/films.php

Dica de Blog : TrainToSucceed

Os estilos de escalada são vários : Boulder, Escalada Esportiva, Escalada Tradicional, Escalada em proteção móvel, escalada de big-wall, alta montanha, escalada em gelo e etc....

Porém para todos os estilos há um consenso : se não houver treinamento, dedicação e foco não há uma evolução.

Vivendo na era do conhecimento científico, temos de aproveitar tudo o que há disponível para não nos machucarmos nem estarmos fazendo esforõ inútil.

Um outro site muito bom de treinamentos para escalada é o blog : TrainToSucceed.

No blog há vérios textos abordanto métodos de treinamento e sua eficácia e eficiência.

Para saber mais acesse :

http://traintosucceed.blogspot.com/

Um outro blog que merece visitação, porém não é voltado para a escalada, e sim para preparação física em geral é : http://www.sportsscientists.com/


Após sugestão de uma leitora não tão experiente em escalada, acabei encontrando um meio termo para os vídeos de escalada.

A leitora em questão perguntou : "seu blog somente posta vídeos de escalada?".

Para não tornar o blog monótono em temos de posts essencialmente de "olha só este vídeo", pois a quantidade de vídeos de escalada é muito grande, aviso que há um pequeno ajuste no ritmo de postagens de vídeos.

Aqui no endereço do Blog de Escalada, postarei somente os vídeos realativos a destaques da escalada, trailers de grandes lançamentos e reportagens importantes.

Postarei ainda ,e com muito mais frequencia do que está acontecendo, vídeos sobre análise de equipamentos fornecidos pelos parceiros ou por quem quer que deseje ver seu produto avaliado pelo blog.

Para vídeos interessantes, mas não imerdíveis, de escalada sobre o dia a dia de pessoas em Boulders, vias e alta montanha, estarão sendo postados no espaço do Facebook, para um maior conforto de quem viaja nas redes sociais.

Somente no dia de ontem poste cerca de 5 vídeos neste estilo, o que tiraria o foco informativo de assuntos de esalada.

Entendo que vídeos de escalada são importantes, mas há momentos que ficar postanto somente vídeos pode passar a sensação de que estou apenas querendo postar por postar.

Aproveitem o espaço do Blog de Escalada no Facebook para ver os mais recentes vídeos de escaladas postados.

Vida de blogueiro tem alguns percalços : postar algo com "certeza", e descobrir no dia seguinte que publicou post incompleto.

Fui alertado por um amigo argentino de que, há outro site sim bem confiável para previsão de tempo.

Trata-se do http://www.meteored.com.ar/ um site de visual bem simples e que providencia a previsão de tempo por estados e províncias de onde se quer chegar.

Recomendo a quem estiver indo para qualquer lugar da Argentina que saiba o estado que fica a sua cidade (até para saber se há o horário patagônico este ano) e procurar onde vai.

Dicas :

Bariloche = Província de Rio Negro
Chaltén = Província de Santa Cruz
Neuquén = Província de Neuquén
Mendoza = Província de Mendoza


Desempenho de Escaladores Indoor

Escalar em paredes artificiais de ginásio de maneira competitiva requer preparação atlética do escalador.

Isso é inegável.

Foi publicado no excelente blog http://pesquisaemmontanha.wordpress.com um estudo sobre "Características antropometricas e desempenho de escaladores esportivos indoor".

O estudo científico sobre o tema é muito útil a Educadores Físicos e preparadores de atletas de escalada. Leitura quase obrigatória para quem deseja competir fortemente no futuro.

Confira mais detalhes em : http://pesquisaemmontanha.wordpress.com/2010/12/16/caracteristicas-antropometricas-e-desempenho-de-escaladores-esportivos-indoor/

Quem conhece a Patagônia sabe : tome cuidado com o tempo (clima) de lá.

Relatos de quem foi no ano passado, foi dito que choveu durante boa parte do Verão, e até mesmo no "El Frey" houve neve, e pouquíssimas "janelas"(possibilidade de escalar).

Um grande drama também é achar que se vai sair de casa para um tipo de temperatura e chegar ao local e enfrentar outra. O que pode acarretar em erros como deixar um "windstopper" ou um "softshell" em casa para sobrar mais espaço, ou a mala não ficar tão pesada.

Se você não sabe, ou não possui, o que são os itens descritos, e vai viajar para lá, procure comprá-los. Uma ótima sugestão é aqui.

Uma regra básica para quem é mais experiente é se preparar para temperaturas perto de zero (ao menos à noite) e chuvinha constante e irritante.

Somado a isso uma consulta quase obsessiva à previsão do tempo na internet.

Na Internet no Brasil há os sites "climatempo" e "cptec" reinando absoluto na preferência de conferênicias climáticas no país. São rápidos e eficientes.

Porém a Argentina, não é o Brasil. Não há dados confiáveis nos sites brasileiros criados acima. Já tive experiência em cosultar tempo por eles, e obter resultados bem diferentes.

Para quem vai à Argentina visitar a Patagônia, aqui vai duas sugestões de sites que são populares tanto para escaladores quanto para os próprios argentinos :

O site Weather americano é uma das opções mais seguras para obter um tempo bem preciso.

http://www.weather.com/weather/today/ARRN0116

Site americano que tem acesso a várias imagens de satélite, e possui grande credibilidade internacional. Para a "galera" que vai para Bariloche, aproveite o link acima que é exatamente de lá a pesquisa.

Não esqueça de optar pela opção de graus celcius no canto superior direito.

Para toda cidade/região na Argentina digite o seguinte padrão : "nome da cidade" (virgula) Argentina. Ex.: Bariloche, Argentina



A opção preferida dos argentinos é os "prognósticos" realizados pelo portal do jornal Clarín.

O link é http://www.clarin.com/clima e no "combo box" (canto superior direito da tela) com os nomes das cidades e regiões há a previsão dos próximos 5 dias.

Fiquem atentos que não possui muitas localidades como as do site acima, mas é bem eficiente e rápido para pesquisas.

Check-up Esportivo antes da prática de atividade física é importante?

Isso todo mundo sabe e se não fez é por que é teimoso!

Digam-me, existe algum de vocês que mesmo sabendo que tinha que fazer um check-up resolveu atropelar tudo e meter a cara em uma atividade física?

E pergunto mais, fez o que fez e ainda teve algum problema de saúde decorrente desde fato?

Veja aqui uma matéria que já publicamos falando sobre check-up e promessas.

Pois é, uma hora ou outra você terá que ir ao médico para prevenir ou remediar, como diz o ditado!

O HCor orienta sobre a importância do Check-up Esportivo antes da prática de atividade física - O acompanhamento médico antes da realização de exercícios físicos é considerado essencial para a prática de esportes de atletas profissionais e amadores.

Atualmente muito tem se falado da prática correta de exercícios físicos e como eles devem ser feitos de forma segura e sem riscos à saúde.

O acompanhamento médico é considerado essencial para qualquer prática esportiva, sendo ela amadora ou profissional. Para as atividades físicas em academias de ginástica também são necessários avaliações, já que cada indivíduo possui diferentes metabolismos.

O que muitos não sabem é que até mesmo uma atividade física mais intensa, praticada por um não atleta, deve ser indicada por uma equipe médica que, ao traçar o perfil metabólico do esportista iniciante ou profissional, realizará exames de cunho clínico e esportivo para indicar a intensidade, periodicidade e tempo de cada exercício.

E é claro que não nos esqueçamos do acompanhamento de um profissional de educação física nos exercícios e prescrição deles.

O início da atividade física sem um monitoramento prévio pode trazer diversos riscos à saúde.

As atividades físicas, dependendo do seu nível de intensidade e de exigência física, seja ela competitiva ou não, desencadeia uma série de fenômenos metabólicos variados e intensos. Se esse indivíduo tiver alguma doença silenciosa ou inicial, esse exercício físico possivelmente elevará os riscos de complicações.

A realização de um Check-up Esportivo antes de fazer atividades físicas tem crescido nos últimos anos, pois as avaliações clínica, física e cardiológica reduzem os riscos de paradas cardiorespiratórias e outros eventos.

Porém, o número é mais expressivo em pacientes que passam por reabilitações cardiopulmonares, que realizam o acompanhamento pós-cirurgia cardíaca ou que sofrem ou passaram por problemas cardiológicos.

É necessário que essa visão de um Check-up esportivo seja mudada, pois todos que praticam esportes e exercícios necessitam fazer uma avaliação prévia e um acompanhamento dessas atividades.



Fonte : http://www.cuidandodocorpo.com/2010/12/check-up-esportivo.html

Segurança Dinâmica

O texto está todo em inglês, e inicialmente estava tentando traduzir para colocar no post, porém devido ao tempo corrido no trabalho não posso me furtar tempo de traduzir tudo.

Antes de mais nada, apenas um esclarecimento sobre alguns mitos que acercam a segurança dinâmica:

1) Segurança Dinâmica significa dar várias braçadas de corda - FALSO!

Quanto mais braçadas estiverm no sistema, o escalador em questão cairá antes da corda começar a fazer seu serviço e mais força será necessária para ela absorver. A menos que haja um risco óbvio que você tem de fazer o escalador cair longe de algo, dê somente a braçada suficiente para permitir o movimento.

2) Segurança dinâmica é deixar a corda passar pelo dispositivo um pouco - FALSO!

Interromper uma queda quequer quase que ação instintiva, não hpa tempo suficiente para a ação motora controlar este tipo de deslize, o risco é você largar os dois juntos (nota : isto pode ser feito, mas é necessário luvas, um freio oito como equipamento de segurança, e um sistema de backup do segurador.)

Leia o resto, em INGLES, no site : http://www.ukclimbing.com/articles/page.php?id=1844

Após passado dois dias da "polêmica" entrevista de André Ilha, e "milhares" de protestos sobre o tema, com recados mal-educados (porém aprovei um único comentário para que também leiam o tipo de resposta que dou a estes comentários) há ainda um certo tipo de "lavagem de roupa suja".

Pelo teor mensagens colocadas na página do Blog de Escalada no Facebook, resolvi deixar o que achei da entrevista, e o que penso de tanta repecursão (com quase 1500 acessos somente ontem).

Minhas palavras elogiosas para o escalador André Ilha de nada tem a ver com eu concordar ou não com a sua linha de pensamento.

Minha admiração e elogios são para uma pessoa que entende muito do tema que eu quis abordar na entrevista, e pela sua facilidade de explicar as coisas.

Facilidade esta que ao explicar o que pensa sobre algum tipo de escalada causou esta revolta.

Após dois dias passado, todos dormiram, todos foram trabalhar(quem trabalha), todos foram estudar(quem estuda), todos ficaram vendo tv em casa (quem não faz nada) e devem ter reparado em algo : o que uma pessoa pensa a respeito de uma preferência de escalada ou de algo NÃO MUDA A SUA VIDA.

Estilos de escalada são como times de futebol. Cada um tem o seu, cada um ama o seu, e tende a se comportar como "hooligans" quando alguém critica o seu.

Minha esposa costuma dizer que : Futebol tem o poder de transformar pessoas inteligentes em pessoas burras.

O mesmo parece que acontece quando alguém diz algo sobre um estilo de escalada.

Sou escalador de vias esportivas, não tenho dinheiro para comprar equipamentos móveis, não sou praticante de conquistas de vias em lugares ermos , e nem por isso me sinto super-ofendido quando alguém critica a modalidade que eu escalo.

Acho desperdício de energia quando qualquer pessoa que critica (seja André Ilha ou quem quer que seja) que não paga as minhas contas, não lava o meu carro, nem dorme comigo, e mesmo assin ficar ofendido como algo pessoal. Exatamente igual como acontece com discussões sobre títulos de times de futebol.

Em resumo : a opinião DELE (qualquer pessoa que critica o que eu gosto) em nada vai mudar a minha vida como está agora.

Portanto com a atitude madura que deveriam ter MUITOS escaladores, todos maiores de idade, "escandalizados" com uma declaração contrária à modalidade de escalada praticada, deveriam meditar sobre ser tão importante, ou não ,o que foi dito.

Após isso segue a vida.

Publiquei a resposta do proprietário da Rokaz porque, assim como André Ilha, foi muito educado, e também teve a calma e elegância de dizer com palavras bem estruturadas que acreditava que o que foi dito era equivocado.

Maturidade e educação é isso : demonstrar que não concorda é diferente de ofender para impor uma idéia. O declarado pela Rokaz mostrou como pessoas adultas resolvem um tema polêmico.

Porém, acho que muito escalador, incluindo os "boca suja" que deixaram recados no blog estão esquecendo de algo, que foi a minha preocupação principal : as informações de como procedermos em caso de proibição de locais de escalada, e na execução de planos de manejo.

Com relação à entrevista a menos que esteja muito enganado, o André Ilha é uma das maiores autoridades neste assunto de planos de manejo, acesso de escaladores em parques públicos e outros assuntos políticos referentes à escalada. Por ter falado com autoridade e completamente esclarecedora ao assunto que fiz a introdução elogiosa (e merecida ao meu ver) para com ele.

Se você leitor tiver a paciência de ler novamente a entrevista verão que o foco da entrevista foi como se preparar para liberar áreas de escalada.

O importante é acumular conhecimento, que pelo menos para mim é o PRINCIPAL objetivo do blog.

Exatamente ESTE tema (acessos, plano de manejo e etc) que escrevi na conclusão que há muito a aprender com as palavras dele.

Estou presenciando, e observado de longe mesmo, ao longo dos anos que escalo alguns lugares que eu considero verdadeiros paraísos da escalada, especialmente em Minas Gerais (que está para a escalada esportiva brasileira assim como a Espanha está para a escalada esportiva mundial) onde escalei ,e gosto muito de voltar e escalar, sendo fechados.

Nada mais natural de me preocupar e publicar para ficar a alguém interessado um texto explicativo sobre os famosos "Plano de Manejos" que parecem ser (ao menos para mim) uma coisa complicada de sair do papel.

Mesmo morando longe dos locais que estão sendo abertos, acredito que é uma maneira do Blog de Escalada contribuir com quem quer fazer do lugar um "novo Valle Encantado".

Portanto, recomendo a quem está "indignado" apenas pelo entrevistado declarar algo de uma linha de pensamento discutível, e focar no importante :

De que muitos lugares de escalada estão fechados, sendo fechados ou por fechar, porque estamos focando em uma verdadeira masturbação sociológica de escalada, e não no principal.
Peço novamente preocuparmos no mais importante que é termos mais locais de escalada, abrindo aqueles que estão fechados.

Para quem quer bater boca, e filosofar mais sobre o tema, sinta-se a vontade para ir ao Facebook, pois QUALQUER mensagem sobre este assunto não será mais aprovada para ser publicada aqui.


Foto : Tacio Philip

Tópico: Entrevista Polêmica

Devido à grande avalanche de comentários, alguns até exaltados, para que haja mais dinamicidade na discussão de quem pensa sobre a repercursão da entrevista de André Ilha ao Blog de Escalada, há um novo tópico aberto para a discussão no Facebook exatamente para isso.

Lá é muito mais fácil de quem quiser trocar idéias do que deixar mensagens em posts aleatórios.

Na página do Blog de Escalada no Facebook, vá em Discussões, e diga o que pensou.

http://www.facebook.com/pages/Blog-de-Escalada/128782850514204

Lá diga o que achou, sustente seu ponto de vista e troque idéias com quem também tem algo a dizer da entrevista.

A Proativa esta fazendo seu Bazar de fim de ano.

A Proativa é uma das principais distribuidoras de equipamentos de esportes de natureza do Brasil.

Estão acabando os produtos, mas tem alguns equipamentos de alta qualidade a preços bem baixos.

Nesse bazar estão as marcas: Deuter, Lafuma, Princeton Tec, Sea to Summit, entre outras.

Para participar do Bazar você deve agendar a visita com o MARCUS pelo email:
info@proativa21.com.br

O endereço da Proativa é: Rua Antunes Maciel, 226 – São Cristovão - Rio de Janeiro

Aproveitem que o Bazar só vai até dia 31 de Janeiro.

Fonte : http://www.cumes.com.br/2010/12/bazar-da-proativa/

Neste mês de dezembro, circula a edição 67 da revista GoOutside. Revista brasileira "filha" da americana Outside.

A revista aborda de maneira sazonal a escalada (não é uma revista essencialmente do esporte), porém como tem acesso a um vasto material de sua "mãe" americana que tem as reportagens que abordam a escalada e são muito bem escritas e extensas.

Na edição deste mês aborda um tema que foi publicado na edição americana em junho deste ano. Conta o relato do escalador, e ex editor da revista Climbing Magazine, que durante um período de sua vida se tornou viciado em remédios tranquilizantes e de "tarja preta".

O relato inteiramente traduzido, está na edição deste mês (que contém também outros tópicos de escalada) e pode ser acompanhado em seu texto origial em INGLES aqui : http://outsideonline.com/culture/201006/matt-samet-climber-addiction.html

Recomendo fortemente a leitura, que é muito interessante.

Nesse sábado dia 17 acontece em Ponta Grossa/PR o lançamento do Guia de Escaladas em Rocha.

Setores como Buraco do Padre, Salto São Jorge, Macarrão entre muitos outros são contemplados nessa publicação.

Parabéns aos idealizadores por essa grande contribuição ao montanhismo nacional!

Os idealizadores estarão disponibilizando em seu blog de contato mais detalhes de preço, envio e onde comprar : http://grupoescaladacidadepedra.blogspot.com


Fonte : http://ecosdamontanha.blogspot.com/2010/12/guia-de-escalada-em-rocha-de-ponta.html

A idéia de ter um calendário com mulheres escaladoras já está bem difundido. Há o Stone Nudes , que já é um clássico, e aqui no Brasil o "Garota Dedos Fritos".

Agora as mulheres também tem o seu calendário com os garotos da esalada.

Já está à venda o "Men Of Routesetting 2010". Um calendário com os melhores Route Setters em poses para agradas a mais comportada escaladora.

Uma parte da venda destes Calendários vai para o Access Found, que é uma entidade representativa de escaladores que se preocupa com o acesso às montanhas.

Para você que se interesse, veja mais detalhes em : http://store.louderthan11.com/?p=380

No dia de ontem publiquei uma entrevista com o escalador André Ilha.

Quanto ao post publicado, fiz todas as perguntas sobre temas que, na minha visão, André Ilha tinha (e realmente tem) conhecimento de causa.

Sinceramente eu acredito, do "fundo do meu coração ", que ele não quis alfinetar ninguém.

Pessoalmente, nem quis "mostrar a verdade", nem ofender ninguém. Seja com a entrevista ou com o que disse sobre o entrevistado.

Entrevistar pessoas é também estar preparado para escutar o inesperado.

Entre concordar com as respostas do entrevistado e publicar no blog vai um abismo. Quando quero colocar minha opinião, até mesmo assino embaixo.

Assim como faço questão desde o "dia zero do blog", de colocar os dois lados de qualquer história . Tenho como precedente que mostrar vários lados de história e realidades é diferente de querer "fazer polêmica".

Olhar todas as opiniões a respeito de um tema é fazer pensar.

Publico aqui o pedido de resposta da Academia Rokaz. A Academia de Belo Horizonte me procurou gentilmente para que publique também seu ponto de vista.

Venho por meio desta apresentar minhas discordâncias e reagir a entrevista do André Ilha, pois acho que ao contrario do que foi anunciado na introdução da entrevista (...“em nenhum momento ele demonstrou preocupação em alfinetar ninguém, nem apontar culpados. Mais uma comprovação de sua elegância”...), o André Ilha criticou sem muita elegância e usou palavras pejorativas ("...os escaladores de academia são escaladores de 'plástico'"...) para falar das academias de escalada (as de Belo Horizonte em particular) sem conhecer bem o trabalho que estamos fazendo aqui.

Ao contrario do que ele fala, as belas paredes que escalamos todos os finais de semana não são para nós e para nossos alunos e amigos de jeito nenhum um “mero ginásio ao ar livre”.

Desde o primeiro curso de escalada que damos para todos os iniciantes (sem exceção) que chegam a academia até o curso mais completo que temos, ensinamos a nossos alunos o respeito à natureza, que a escalada é muito mais que um esporte, é um estilo de vida, graças a esse contato íntimo que o escalador tem com a natureza através da pedra, graças as viagens que ele faz para conhecer novos picos e visuais.

Quase uma vez por mês levamos nossos alunos para pedra, fazemos palestrinhas para conscientizar o pessoal com relação a proteção do meio-ambiente, práticas adequadas nos picos de escalada, além de apoiarmos as pessoas que conquistam vias e cuidam de um pico, com está sendo feito por exemplo na "Lapa do Seu Antão" esses últimos meses.

São raríssimos os “espíritos de porco” dentro dos escaladores de pedra, e sempre falar que existem alguns escaladores que sujam os picos de escalada prejudica muito a imagem de nosso esporte e faz parecer que eles são realmente numerosos.

Falar que os maiores conquistadores de vias esportivas do Cipó (Luis Pitta e Alexandre Fei por exemplo) são escaladores que nunca receberam “uma formação ética e ambiental consistente em suas academias” é mostrar muito pouca estima pelas pessoas que trabalharam muito para a escalada crescer no Brasil e que são apaixonados pelas paredes e natureza.

Essas pessoas que conquistam vias esportivas são escaladores de pedra muito mais que escaladores de academia!

As paredes do morro da Pedreira não são de jeito nenhum “inteiramente metralhadas de chapeletas” como o André Ilha falou.

Ele falou ainda: “Sem respeito pelo meio ambiente”. O único impacto ambiental de uma chapeleta é o impacto visual!

É claro que implica também um aumento da frequentação do pico, pois para cada escalador de rocha em móveis, existem no mínimo 100 escaladores de escalada esportiva, pelo menos em Minas.

A Serra do Cipó tem potencial para ser o maior e melhor pico de escalada esportiva da América latina (junto com o Valle Encantado na Argentina), mas a realidade de hoje é que apenas um terço das linhas de escalada são equipadas e que esse pico é quase totalmente desconhecido fora do Brasil!

Ao contrario do que o André Ilha fala é fato que hoje em dia no Brasil a escalada em móvel é reservada a uma elite: um jogo de camalots custa milhares de Reais, e normalmente levam-se vários anos para um escalador estar a vontade numa via onde ele pode usar somente móveis para se proteger, sobre tudo nos picos como o Cipó onde o calcário não é tão fácil de proteger como o granito do Rio.

Além disso, é errado falar que a escalada de uma via bem grampeada é mais perigosa que a escalada de uma via em móvel porque apresenta um índice de acidentes maior! A maior razão desse índice de acidentes maior é muito mais simples do que a falta de experiência: uma via clássica bem grampeada é repetida várias vezes por mês, uma via clássica em móveis é escalada algumas vezes por ano!

Com esse tipo de raciocínio, seria possível mostrar também que a via normal do Mont Blanc é muito mais perigosa que a face Sul do Aconcágua logo que 10 vezes mais alpinistas morrem no Mont Blanc que na face sul do Aconcágua, ou que a escalada em solo é um esporte muito seguro porque acontecem menos de 10 mortes por ano no mundo inteiro!

Na Rokaz nosso objetivo é democratizar a escalada, fazer que cada vez mais gente conheça o grande prazer de escalar na pedra, o grande prazer de ficar o dia inteiro curtindo a beleza das paredes e do mato com os amigos.

Não acreditamos que a escalada deve ser um esporte elitista.

Quem respeita a natureza é quem aprendeu a gostar dela, quem desmata as florestas ou joga lixo na beira das estradas é quem nunca teve o prazer de fazer uma caminhada no mato.

Na Rokaz somos apaixonados por todas as modalidades da escalada, mas acreditamos que são a escalada de boulder e a escalada esportiva que poderão democratizar o esporte e fazer que cada vez mais gente no Brasil respeite e cuide da natureza.

Alexis Loireau, sócio da Rokaz, academia de escalada em Belo Horizonte, alpinista e escalador de paredão em móvel há quinze anos, além de escalador esportivo e de boulder.
obs.: Toda e qualquer discussão a respeito desta entrevista, deve ser discutida na página do Blog de Escalada no Facebook, para que eu não fique dando destaque à este tipo de temática por aqui.

Quem estiver a fim de se extender no tema, abra um tópico de discussão lá e sinta-se a vontade para soltar o verbo.

O link para a página está logo no início da página.

Calendário Garotas Dedos Fritos

Aquilo que foi um projeto, agora já é um evento tradicional seguido por todos da escalada brasileira.

O "Calendário Garotas Dedos Fritos" em sua edição 2011 melhorado e aprimorado.

Arrisco a dizer que é obrigatório em todo abrigo de escaladores pelo Brasil afora, e bares restaurantes e etc que servem de ponto de encontro de quem pratica esportes de natureza.

Parabéns à Fernanda Rocha por ter concretizado mais este projeto.

Acompanhe abaixo detalhes do evento de lançamento :

Para mais detalhes de compra : http://calendariogarotasdedosfritos.blogspot.com

O que é a escalada para você?

A resposta parece simples não?

Se você acha que sim, a responda em : http://www.4climb.com.br/4climb.php e você concorrerá a um par de sapatilhas de escalada da marca Evolv.

Fonte : http://blogdobaldin.blogspot.com/2010/12/o-que-e-escalada-para-voce.html

Na vida existem momentos em que todo entevistador tem a oportunidade única de poder ter contato com alguém fora de série.

Nestes dias tive esta oportunidade singular.

Uma das verdadeiras lendas vivas (literalmente), e uma das cabeças pensantes mais privilegiadas e lúcidas da esalada brasileira, o carioca André Ilha, concedeu entrevista ao Blog de Escalada.

Já adianto que foi uma verdadeira honra ler cada letra de suas respostas.

André falou livremente, e em nenhum momento demonstrou preocupação em alfinetar ninguém, nem apontar culpados. Mais uma comprovação de sua elegância.

Simplesmente fez uma análise pura e direta da escalada brasileira e o problema de acesso enfrentado por montanhistas e escaladadores.

Confesso abertamente que talvez em quase 5 anos de blog (que irão se completar em Março de 2011), nunca tenha tido tanto orgulho de poder publicar uma entrevista de qualidade tão alta.

A todas as perguntas André Ilha respondeu pacientemente, e escreveu de maneira que mostra toda a sua elegância de explicar temas tão comuns, e importantes para todo e qualquer escalador do Brasil e exterior.

Na entrevista André Ilha disse tudo o que se deve saber sobre planos de manejo, como trabalhar para livrar uma área proibida, como encarar a ética na escalada, e outras atualidades da escalada brasileira.

Peço a você, leitor (seja frequentador ou não) do blog, que pare por um minuto e leia com atenção tudo aquilo descrito por André Ilha.

Você tem muito a aprender com as respostas da entrevista.

1 - André Ilha, outro dia foi comentado em uma lista de discussão que "onde há uma Rocha, já foi escalada por André Ilha". De onde vem esta lenda?

Certamente devido ao grande número de vias que já abri - pouco mais de 570 -, muitas delas em lugares distantes e obscuros.

Alguns destes lugares permanecem obscuros até hoje, mas outros tornaram-se grandes referências da escalada em rocha no país, especialmente da escalada com equipamento móvel, como a Serra do Lenheiro e a Serra do Cipó (Morro da Pedreira).

É frequente alguém achar que descobriu uma nova área e depois constatar que eu já havia andado por lá há tempos, e mais de uma vez chegaram a cumes de montanhas distantes pensando que eram virgens, apenas para topar com uma das minhas "marmitas de cume" acondicionadas sob algumas pedras...

Se não fosse assim, por esta busca constante por lugares novos, situações novas, vias novas, eu talvez já tivesse parado de escalar há muito tempo.

Mas esta minha curiosidade inesgotável faz com que eu mantenha, hoje, a mesma fissura (sem trocadilhos!) de 20, 30, 35 anos atrás.

2 - Hoje, em termos de escalada, o que motiva você?

A minha rotina de trabalho hoje, como diretor do Instituto Estadual do Ambiente (INEA), é muito puxada, e me sobra muito pouco tempo para escalar.

O ritmo diminiu muito, assim como a forma física, o que só permite que eu entre em vias de dificuldade relativamente modesta.

Mas, felizmente, eu sou apaixonado mesmo é pelas escaladas, e não pelos seus graus, e, portanto, sinto também imenso prazer em fazer vias de dificuldade moderada, desde que sejam bonitas e sigam linhas naturais.

Se foram em livre e em móvel então melhor ainda.

Mas, como eu disse acima, para mim um dos maiores atrativos do montanhismo em geral, e da escalada em particular, é o aspecto de exploração de novas áreas.

Nesse sentido, a busca por cumes virgens no interiorzão do Brasil é para mim uma das facetas mais prazerosas do esporte, pois envolve tudo: pesquisa; preparação logística; viagens cheias de peripécias e situações divertidas; contato com os moradores locais, quase sempre gentis e generosos; a vivência de ambientes naturais diferentes daqueles a que estiou acostumado; e até as escaladas em si!

Já atingi os cumes até então inescalados de mais de 50 grandes montanhas e pontões, e se somarmos a isto pequenas agulhas, a conta passa de 70.

3 - Na sua visão, como está a escalada no Rio de Janeiro em termos de consciência sobre impacto ambiental?

Em média, muito bem.

Graças à base histórica proporcionada pelos clubes, e depois ao trabalho excepcional que vem sido desenvolvido pela FEMERJ, o nível de consciência ambiental dos escaladores cariocas, de uma maneira geral, é bem bom, com reflexos positivos diretos sobre os ambientes de montanha.

Trabalhos metódicos e bem feitos de reflorestamento, mutirões de limpeza de lixo, manutenção de trilhas e pressão para que novas vias não sejam feitas em detrimento da vegetação rupícola são alguns feitos expressivos a serem contabilizados na coluna dos créditos.

Mas, claro, há sempre um ou outro espírito de porco, cujo egoísmo não apenas causa danos ao meio ambiente, mas também põe em risco as duras conquistas obtidas pelas organizações representativas dos montanhistas junto aos órgãos públicos e à população de uma maneira geral, mas felizmente estes são muito poucos, e a forte pressão social exercida pela comunidade local de escaladores tem feito com que os problemas sejam cada vez mais esporádicos e menos sérios.

Tenho uma visão otimista a respeito.

4 - Hoje a comunidade escaladora está enfrentando problema de acessos à locais de escalada. Como você visualiza este problema?

Este, de fato, é hoje o maior problema enfrentado pelos montanhistas (escaladores e caminhadores) em todo o país, e decorre de alguns fatores que, conjugados, levaram a uma situação crítica.

O primeiro deles é o fato de que a montanha, hoje, não é mais território exclusivo dos montanhistas amadores, como no passado: ela agora é dividida com turistas e seus guias, rapeleiros e curiosos de toda a espécie, o que por vezes gera conflitos de interesse e dificuldades a eles associadas.

Graças à inércia dos montanhistas amadores quando este fenômeno começou a ocorrer, na década de 80, baseada na vã esperança de que esta realidade não fosse se instalar da forma como se instalou, o espaço junto ao Poder Público foi ocupado, bem ou mal, pelo segmento turístico, que passou a ser visto, por vezes, como o único e legítimo representante do esporte junto às instâncias oficiais, levando os primeiros e tradicionais frequentadores das montanhas brasileiras a uma certa marginalização.

Isto, felizmente, vem sendo revertido a duras penas graças ao infatigável trabalho das organizações representativas dos montanhistas - CBME, federações e clubes locais - com ótimos resultados em certos casos, mas ainda com muito por fazer em outros.

Este processo, no entanto, poderia estar acontecendo mais rápido se houvesse mais gente disposta a arregaçar as mangas e a ajudar, e se não houvesse, aqui ou ali, alguns que, incapazes de compreender a magnitude de todo este processo, provocam retrocessos com suas atitudes impensadas e bravatas juvenis.

Além disso há a questão da insegurança, que faz com que as pessoas cada vez mais se fechem atrás de muros, cercas, guaritas, contratem guardas, usem cães etc.

Tudo para impedir o acesso de pessoas estranhas às suas propriedades, o que levou ao fechamento, às vezes legal, às vezes ilegal, de áreas tradicionais para a prática do esporte.

Isso é muito complicado porque não se pode tirar de todo a razão destas pessoas devido ao real crescimento da violência, principalmente nas áreas urbanas, ainda que haja por vezes uma certa dose de histeria envolvida.

O caminho parece ser mesmo o da negociação caso a caso e, além disso, os decretos municipais de incentivo ao montanhismo que começaram a ser editados aqui no Rio de Janeiro: já temos os da capital e o de Petrópolis, e as cidades de Teresópolis e Nova Friburgo já estão pensando em atos semelhantes.

A ideia é que as prefeituras municipais reconheçam o montanhismo como uma atividade tradicional e positiva de ser praticada em seus limites, reconheçam oficialmente as áreas de interesse para o esporte e adotem medidas concretas para assegurar o acesso a antigas e novas áreas, desde a instalação de sinalização oficial até a instituição de servidões de passagem, entre outras.

Esse caminho parece ser bem promissor, mas além disso há ainda um interessante projeto de lei sendo discutido no Congresso Nacional, de autoria do deputado Fernando Gabeira e por inspiração do Centro Excursionista Petropolitano, que visa a assegurar o acesso através de terras privadas a atrativos naturais como trilhas, paredes rochosas, cachoeiras etc., mais ou menos como o que já existe hoje, ao menos no RJ, com relação às praias.

O ponto de partida foi uma lei inglesa chamada Countryside and Rights of Access Act, ou simplesmente Crow Act, fruto de uma luta de década dos caminhadores ingleses (ramblers) pelo direito de passear pelas colinas daquele país.

Enfim, para resolver todos estes problemas, só há uma saída, e que já vem sendo trilhada com maior ou menor empenho em todo o país: a de uma maior institucionalização do esporte, fortalecendo as suas entidades representativas para que estas, cada vez melhor vistas junto à população e aos órgãos públicos, possam promover uma interlocução séria, vigorosa e, sobretudo, produtiva.

O problema é que isto dá trabalho, exige a leitura crítica e redação de documentos, a participação em muitas reuniões, como por exemplo nos conselhos consultivos nos parques onde existam trilhas ou escaladas, e como nem sempre há alguém disposto a doar o seu tempo e a sua energia para tal, aí as coisas ficam mais difíceis.

5 - Hoje a Serra do Cipó é considerada a Meca da escalada esportiva. Como você analisa o grande volume de escaladores que sempre escalam por lá?

Volume em geral não é problema, dá para se manejar de alguma forma, exceto em casos extremos, o que não se aplica ao Cipó.

O problema é a mentalidade de uma parcela dos escaladores esportivos que frequentam o local, que sairam diretamente de um ginásio com agarras de plástico em Belo Horizonte para lá e tendem a enxergar aquelas belas paredes, situadas em uma área de proteção ambiental federal (aliás, criada graças aos esforços dos próprios montanhistas no final da década de 80!), como um mero ginásio ao ar livre.

Assim, por não terem tido a oportunidade de receber uma formação ética e ambiental consistente em suas academias, veem o Morro da Pedreira como um reles ginásio ao ar livre, onde podem fazer tudo o que querem, e ainda hostilizam as pessoas que estão lutando pela organização do esporte em Minas Gerais.

É uma mentalidade assim que levou, por exemplo, ao fechamento por anos e anos da Lapinha, e é apenas graças aos esforços das pessoas que estes escaladores criticam e debocham é que, agora, há uma perspectiva concreta de reabertura parcial da Lapinha...

Eu conquistei todas as primeiras escaladas do Morro da Pedreira, e no total abri mais de 60 vias lá entre 1986 e 1990, todas em móvel, mas jamais achei que lá deveria ser um reduto exclusivo da escalada tradicional.

Pelo contrário, eu mesmo pensava em, um dia, abrir vias grampeadas em diversos pontos (o termo "escalada esportiva" ainda não existia), mas nunca fiz isto porque não parava de descobrir ótimas linhas em móvel para fazer, o que sempre achei mais interessante, e acabei deixando para lá.

Portanto, acredito completamente na possibilidade de coexistência harmônica entre a escalada tradicional e a esportiva lá, assim como, felizmente, ocorre no Rio de Janeiro, mas não dá para concordar que todas as paredes do Morro da Pedreira sejam inteiramente metralhadas de chapeletas sem respeito pelo meio ambiente, pelas vias tradicionais ali estabelecidas ou por estabelecer e pelos demais frequentadores.

Este caminho não é bom, e pode acabar levando ao fechamento daquela importante área, assim como já aconteceu com Lapinha, Cerca Grande, Baú e Gruta do Rei do Mato. Se a consciência não funciona, então eis ao menos um bom motivo para reflexão e correção de rumo.

6 - Em locais que estão dentro de propriedades particulares, e que foi vetada a entrada de escaladores, voce teria alguma sugestão para quem procura idéias de contornar este problema?

A primeira coisa a se fazer é tentar, respeitosa e educadamente, negociar com o proprietário este acesso.

Se não, tentar junto à municipalidade a instituição de um programa municipal de apoio ao montanhismo, nos moldes dos que eu já mencionei acima, no Rio de Janeiro (capital) e em Petrópolis.

Mas atenção: estes processos normalmente são lentos, pois é preciso se ganhar a confiança dos proprietários, e o excesso de ansiedade pode colocar tudo a perder de um dia para o outro. Há que se ter paciência e persistência.

7 - Há vários locais de escalada fechados na pendência de um "Plano de Manejo" (Como Sete Lagoas-MG, Baú de Minas-MG, Guaraiúva-SP e Lapinha-MG). Como é elaborado um plano de manejo, e porque é tão demorado?

Um plano de manejo é um estudo multidisciplinar que dirá o que pode e o que não pode ser feito dentro de uma unidade de conservação qualquer, seja um parque, uma área de proteção ambiental, um monumento natural e assim por diante.

É o Plano Diretor daquela unidade, que define o seu zoneamento ambiental e dá diretrizes para a atuação do seu gestor.

Só que enquanto o plano de manejo não é feito, nós, aqui no Rio de Janeiro - e aí eu me refiro não apenas ao INEA, que é o órgão ambiental estadual, mas também ao ICMBio, que é o órgão federal, e às diversas prefeituras municipais -, entendemos que é perfeitamente possível liberar, ainda que parcialmente e com certas restrições, as atividades de uso público, como por exemplo a escalada.

É certo que, em tese, seria preferível o plano de manejo vir antes, mas como as vezes passam-se décadas entre a criação de uma unidade e a elaboração do seu plano de manejo, não me parece justo, e nem correto, manter a unidade "fechada" por todo este tempo, e as as aspas justificam-se porque elas não ficam de fato fechadas: o fechamento vale apenas para aqueles que respeitam as normas, e são portanto os grandes prejudicados.

Os transgressores acabam se dando bem nesse caso...

Mas é importante frisar que o plano de manejo é um instrumento de gestão importantíssimo, e não deve ser menosprezado.

No INEA, mesmo antes dos planos de manejo serem elaborados, nós promovemos os chamados "Seminários de Mínimo Impacto", onde, após a elaboração de um documento preliminar pela FEMERJ e pelo próprio INEA, é convocada uma ampla reunião pública para debatê-lo ponto a ponto e, assim, definir as normas que valerão para a prática da escalada em nossos parques estaduais.

Depois, quando o plano de manejo for contratado, o resultado do Seminário de Mínimo Impacto vai inteirinho para o seu capítulo de uso público, como já ocorreu no caso do Parque Estadual dos Três Picos.

Este instrumento é excepcionalmente eficiente porque deriva de um acordo feito com os usuários (no caso, os escaladores), e já promovemos estes seminários nos nossos três parques estaduais onde a atividade de escalada em rocha é relevante: Três Picos, Serra da Tiririca e Pedra Branca, sendo que os planos de manejo destas duas últimas unidades estão, no momento, em fase de licitação.

Agora estudamos a possibilidade de fazer um Seminário de Mínimo Impacto para slack-line no Parque Estadual da Serra da Tiririca, devido ao crescimento algo desordenado desta atividade por lá.

Também aqui no Rio de Janeiro nós, após longa discussão interna e depois pública, através da página do INEA na internet, encaminhamos ao Governador Sérgio Cabral uma minuta de decreto de uso público que veio a ser assinada em maio deste ano e que pode ser considerada, de uma certa forma, revolucionária, pois ela subverte a lógica praticada em alguns lugares de que toda a visitação em um parque é proibida, salvo onde expressamente permitida.

No nosso caso, toda a visitação é permitida, salvo onde expressa e justificadamente proibida.

E, apesar disto, acreditamos firmemente que estamos tendo um ganho de gestão, assim como melhor proteção à unidade, desta forma.


8 - Recentemente houve novas discussões a respeito de incrementar proteções em vias que ocorrem quedas. Sei que é assunto velho, mas qual a sua visão sobre este tema?

Céus, lá vamos nós, de novo!

Se alguém se julga no direito de acrescentar grampos a uma via qualquer, por qualquer razão, outra pessoa poderia também se sentir no direito de arrancar por sua conta os grampos que considerar supérfluos...

Portanto, no Brasil e no mundo todo, um dos princípios éticos mais elementares da escalada, endossado até pela nossa instituição maior, que é a U.I.A.A., é o que, em nosso país, convencionou-se chamar de "direito autoral", ou seja, a concepção original de uma via qualquer deve ser integralmente respeitada por todos, concorde-se com ela ou não.

Afirmo que esta é a única forma de se evitar a barbárie que uma "guerra de grampos" poderia causar a uma área qualquer de escalada.

Modificações na forma original de uma via, seja para acrescentar ou para remover proteções fixas, só se feitas pelos seus próprios conquistadores ou com sua autorização expressa.

Além disso, a prática nos provou que adicionar muitos grampos aumenta, e não diminui o risco de acidentes!

Embora à primeira vista esta afirmação pareça paradoxal, é simples entender por quê: vias ultragrampeadas transmitem uma falsa sensação de segurança e estimulam pessoas pouco experientes a entrar nelas, e não existe nada mais perigoso na montanha do que a falta de experiência e, consequentemente, a incapacidade de julgar adequadamente as situações concretas que se apresentam, daí os acidentes em série, inclusive fatais, em vias com grau de exposição E1.

Uma recente pesquisa levada a cabo pelo Flávio Daflon mostrou que, no Rio de Janeiro, todos os acidentes graves desde 1998, inclusive com três mortes, ocorreram em vias densamente grampeadas.

A escalada recordista em fatalidades no Rio de Janeiro, o Paredão Cepi, nem bem é uma escalada: é uma via ferrata, um cabo de aço da base ao topo da face oeste do Pão de Açúcar, onde, em tese, não haveria como alguém se machucar e muito menos morrer!

Mas, precisamente, porque este cabo de aço deixava as coisas muito facilitadas, toda a espécie de pessoas despreparadas achava que podia entrar lá e subir com tranquilidade, inclusive sozinhas, e era um acidente horrível atrás do outro.

Isto só parou quando a parte inicial do cabo de aço foi arrancada!

Agora, só quem possui um certo nível de competência técnica pode entrar lá, criando um filtro muito saudável que, ao menos até agora, impediu a ocorrência de novas fatalidades.

A basoseira de que a escalada móvel seria elitista e muito perigosa já foi superada há tempos, e raros são os acidentes em escaladas deste tipo porque, precisamente por serem mais exigentes, os candidatos a repeti-las preparam-se melhor, o que é um princípio válido para qualquer escalada.

Além disso, nunca devemos pensar em rebaixar o nível da montanha ao nosso próprio, mas, pelo contrário, nos prepararmos para estarmos à altura dos desafios propostos por ela, e é aí que reside a beleza do nosso esporte.

Por fim, não podemos nunca perder uma coisa de vista: a escalada é um esporte perigoso, quer se queira, quer não, e mesmo vias esportivas, se repetidas por pessoas desatentas ou despreparadas, podem matar.


9 - Há sempre incidentes de escaladores que sujam locais de escalada (como o ocorrido no Valle Encantado que acarretou fechando do local durante o verão desde 2009), como deveríamos, na sua opinião, nos comportar com estas atitudes à nossa volta?

Acho que isto já foi respondido de certa forma acima.

O Valle Encantado foi fechado pelos seus proprietários privados devido à absoluta falta de educação e respeito de parte de seus frequentadores, que deixavam inclusive papel higiênico usado na base das vias...

Novamente, trata-se de gente que vê uma parede natural, por mais bela que seja, como um mero ginásio ao ar livre; não lhes interessam as questões ambientais, o respeito pelos outros escaladores e demais usuários da área, nada: só o que conta são as "cadenas", sua vaidade, seu currículo no 8a.nu., e dane-se o resto.

Algo parecido aconteceu aqui na Pedra da Divisa, em São Bento do Sapucaí.

10 - Muitos escaladores jovens pensam em que curso universitário realizar para contribuir com o seu esporte, o que você sugeriria para eles?

O que lhes proporcionar mais tempo livre para escalar! (risos)

Foi o que eu fiz!

11- Neste ano discutiu-se muito sobre a normatização do esporte de escalada (assim como os cursos e guias) pela ABETA, qual a sua posição sobre o tema?

É imprescindível que haja um amplo entendimento entre os escaladores amadores e os profissionais do ecoturismo, pois o conflito não interessa a nenhuma das duas partes.

Portanto, ABETA e CBME precisam acertar os seus ponteiros definitivamente.

No Rio de Janeiro, uma vez mais, há um excelente relacionamento entre FEMERJ e a coordenação local da ABETA, mas isto ainda precisa ser replicado em alguns estados, e estou confiante de que o será.


12 - Há muita confusão sobre o que é impacto ambiental de escaladores. É difícil definir este conceito de maneira que não deixe os escaladores como vilões?

Toda atividade humana nos ambientes naturais causa algum impacto, daí que os nossos seminários para a escalada são de mínimo impacto, e não de impacto zero, pois este só poderia ocorrer se baníssemos completamente a atividade, o que nos parce descabido.

O que é necessário é que se definam quais são os limites aceitáveis de impacto sobre uma área qualquer, e sejam definidas regras, de preferência consensuais (pois são mais respeitadas) de acordo com este pressuposto.

Os escaladores, de uma maneira geral, são aliados da preservação ambiental, e devem ser respeitados por isto.

Mas, por outro lado, a comunidade toda deve identificar e pressionar os desviantes, para que toda a coletividade não seja prejudicada por uns poucos.


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