Blog de Escalada

Blog destinado a notícias de escalada, eventos, dicas de treinamentos, viagens
e opiniões pessoais a respeito do que cerca a escalada Brasileira e Mundial

Um dos melhores lugares de escalada esportiva no Brasil é zona de escalada conhecida como Lapinha. Localizada próximo à Belo Horizonte teve seu fechamento decretado no início deste século, e desde então houve muita luta e batalhas para que pudesse ser reaberta para a escalada.

Após o anúncio, e a espera de que as coisas engrenassem de acordo com o tempo e recursos procurei o pessoal da FEMEMG para que pudessem falar mais sobre o assunto.

Tive a sorte de poder ter como entrevistado o escalador mineiro Lugoma. Emnbora apenas o conhecer á distância e com pequenas conversas que tive nas vezes que nos cruzamos sempre ouvi coisas elogiosas sobre ele.

Luis gentilmente dentro de seu curto tempo disponível disponibilizou a entrevista abaixo. A entevista também teve a colaboração de Edgardo Abreu e Pedro Leite (GT Lapinha / AME)

1 – Como começou o processo que culminou no fechamento da Lapinha?

O fechamento das áreas de escaladas como

- Gruta do Baú, localizada na Área de Proteção Ambiental Federal (APA CARSTE/ICMBio) em Pedro Leopoldo

- Monumento Natural Estadual Gruta Rei do Mato (MNEGRM/IEF-MG) em Sete Lagoas

- Lapinha no Parque Estadual do Sumidouro (PESU/IEF-MG)

Possuem como denominador comum o patrimônio espeleológico, arqueológico e paleontológico de dezenas de grutas/cavernas existentes na região.

Em 2001, o órgão responsável pelas grutas (CECAV/IBAMA), realizou um Seminário temático sobre o uso turístico de cavernas e grutas.

Neste evento foi determinado que a Gruta do Baú fosse fechada devido à falta do Plano de Manejo e que as demais grutas e cavernas da região teriam um prazo para realizar seus estudos.

A Lapinha, pelo mesmo motivo que a Gruta do Baú, em 2002, foi a segunda a fechar e posteriormente, em 2009, a Gruta Rei do Mato.

(obs: maiores detalhes sobre o fechamento da Lapinha consultar o informativo Mountain Voices no 100, onde é descrito toda a cronologia do fechamento para a prática de escalada na Lapinha).

2 – Como foi o processo de negociação para a reabertura do local?

Foram realizados em duas etapas:

1ª Etapa: À Nível Municipal (De 2001 à 2007) –

Iniciado antes do fechamento da área com a realização de dois Festivais / Encontros de Montanhistas e Escaladores, na Lapinha, com apoio da Prefeitura. Não houve acordo. (Ver: documentário “E as Vias da Lapinha?” produzido por Walfried Weissmann e Aulus Baia, lançado em 2010).

2ª Etapa: À Nível Estadual (2007 à ....) –

Planejamento, Fundamentação Técnica, muitas e muitas reuniões e principalmente desenvolvendo trabalhos em parceria com os órgãos ambientais (IEF-MG, CECAV/IBAMA, ICMBio) e profissionais do meio ambiente foram fundamentais para a abertura e consolidação da escalada como Uso Publico na Lapinha. De uma forma bem resumida, podemos descrever essa etapa da seguinte forma:

Em 2007, após 5 anos do fechamento da Lapinha, a Associação Mineira de Escalada (AME) foi convidada a participar e a assumir uma cadeira no 1º Conselho Consultivo do Parque Estadual do Sumidouro (PESU/ IEF-MG).

Com a posse, a AME, inicia o trabalho de conscientização do Conselho Consultivo e Gerência do PESU sobre o que é montanhismo/escalada e apresenta, em 2008, o trabalho intitulado “Proposta de Zoneamento das Áreas de Escalada em Rocha para o

Parque Estadual do Sumidouro”, realizado com participação de profissionais de diversas áreas como geógrafos, geólogos, biólogos, turismólogos e montanhistas que foi inserido no documento final do Plano de Manejo do PESU em 2009.

Em 2010, em Ouro Preto-MG, foi realizado o Seminário sobre a Regulamentação e Organização do Uso Publico em Unidades de Conservação com ênfase na Escalada/Montanhismo onde analistas ambientais, gestores e diretores de diversos parques e UC’s de Minas e outros estados

(ex: André Ilha e Sergio Poyares – INEA / RJ,
Sandro Souza - IEMA / ES),
Flávio Túlio - CECAV / IBAMA,
Mário Douglas - APA Carste Lagoa Santa-MG,
Edvar Elias e José Geraldo Araújo - APA Morro da Pedreira / Parque Nacional Serra do Cipó – ICMBio,
Soraya Cordeiro - APA Serra da Mantiqueira / ICMBio, Luiz Coslope - Parque Nacional do Itatiaia - PNI/ ICMBio, Ernesto de Castro e Kátia Torres – ICMBio / DF,
Gabriel Cattan - Parque Nacional da Serra dos Órgãos – PNSO / ICMBio)

bem como as instituições de montanhismo e seus representantes tais como:

a FEMERJ/CBME (Bernardo Collares),
FEMEMG (Leandro Reis), CEM (Gustavo Carrozino),
AME (Luís Monteiro, Edgardo Abreu e Pedro Leite)

participaram de forma a mostrar, principalmente, aos gestores de UC´s de Minas as experiências, bem sucedidas, com montanhismo/escalada em seus parques e UC’s e como gerir esse uso público entre outros.

Esse evento foi o “pontapé” para a consolidação de todo o trabalho que realizamos ao longo dos anos e também a criação de um grupo de trabalho denominado GT-Regulamenta, formado pela AME, IEF-MG e CECAV/IBAMA onde, ao longo de 2010, revisou e discutiu a proposta de zoneamento dos setores de escalada na Lapinha (conforme inserido no Plano de Manejo do PESU) bem como a sua execução e gestão que resultou no Projeto Piloto de Abertura da Prática da Escalada Regulamentada e Organizada no interior do PESU em 22 de Maio 2011.

Cabe salientar que, um passo muito importante foi a assinatura do Termo de Cooperação Técnica entre IEF-MG e AME, legitimando assim no órgão ambiental, as ações da AME perante as UC’s do Estado de Minas Gerais. O nosso próximo passo, agora em novembro, é tornar o projeto piloto permanente.


3 – Houve algum representante político (vereador, deputado, governador, etc) envolvido no processo de reabertura?

Diretamente não.


4 - Quais são os termos a se cumprir para a escalada ser permitida na Lapinha (PESU)?

Durante o Projeto Piloto (Maio à Novembro de 2011) os principais termos a cumprir são:

- Somente aos domingos com entrada até 13hs e saída até as 16h45min

- Número máximo de pessoas (Capacidade de Carga): 40 pessoas (simultâneas)

- Credenciamento/ (Ler, Compreender e Assinar de Termo de Conhecimento de Riscos)

- Ouvir o “Sermão da Montanha” que é a apresentação das regras a serem seguidas, feita por escaladores voluntários que disponibilizam o seu dia em prol do livre acesso à Lapinha.


5 – Houve depois da reabertura algum incidente que ameaçou o acordo realizado?

Apesar de alguns atrasos no cumprimento do horário estabelecido para a saída, a constatação de lixo na trilha e papel higiênicos em alguns locais, uma torção de tornozelo (o qual o escalador foi removido com rapidez e segurança) e talvez o mais grave até então: a abordagem e retirada, por guarda parque IEF, de escalador que entrou na Unidade de Conservação, de forma ilegal (sem assinar termo de conhecimento de risco), por trilha não autorizada, já com a capacidade de carga/dia atingida.

Não há nenhuma “ameaça” para o não cumprimento do acordo estabelecido entre as instituições.

Pelo contrário, o IEF-MG já sinalizou a favor da continuação da prática da escalada regulamentada e organizada como parte integrante dos programas de Uso Público em suas UC’s no estado, portanto, uma conquista muito importante para a comunidade escaladora/montanhista e de grande responsabilidade também.


6 – Hoje uma pessoa que reside fora do estado de MG ou até mesmo do país, como ela terá de fazer para escalar por lá?

Seguir os mesmos procedimentos dos escaladores locais (Por enquanto, não se pode realizar reserva de vaga).

Aos longos dos domingos de escalada no PESU, já recebemos escaladores de diversos estados brasileiros como também de outros países (Chile, Argentina, Espanha, EUA, Alemanha, Bulgária entre outros).

A dica é dormir de sábado para domingo no Sítio do Rod (área de escalada a 1 Km do PESU) onde se pode acampar ou em Pousadas e Abrigos de escaladores que residem na região para chegar cedo no Parque e inserir seu nome na lista de ordem de chegada.

É importante salientar que em temporadas de chuvas (Outubro à Março), a UC estará fechada para a prática da escalada caso tenha chovido muito no dia anterior ou durante o domingo.

7 – Após o processo de negociação de abertura da Lapinha, há também a possibilidade de reabertura de locais como Baú de Minas e Sete Lagoas?

Sim.

A forma como o processo foi conduzido, com seriedade, respeito e embasamento técnico fez com que ganhássemos credibilidade com os órgãos ambientais e com isso, “as portas” estão se abrindo para o livre a acesso às outras UC’s do estado para a prática regulamentada e organizada da escalada.

No caso do Monumento Natural Estadual Gruta Rei do Mato a negociação é diretamente com o IEF-MG e segue a mesma metodologia da Lapinha(PESU).

Em relação à Gruta do Baú e em outras propriedades particulares que estão contidas na APA Carste, a negociação deverá ser realizada com o proprietário da terra e gestores do CECAV/IBAMA e APA Carste Lagoa Santa.

8 – Hoje a reabertura da Lapinha é um exemplo para escaladores que possuem locais fechados?

Sim,

principalmente, no interior de UC’s e em áreas privadas de Minas Gerais.

Seguir com paciência e perseverança os caminhos da democracia não é fácil.

Foram cerca de 4 anos de conversas (com órgãos ambientais e profissionais do setor ambiental) para assegurar nossos direitos de cidadão.

Acreditamos, e apoiamos. que mais clubes de escalada deveriam atuar neste sentido, pois o estado é grande, talvez com propostas diferentes mas com os mesmos princípios adotados como no caso da Lapinha, ou seja, fundamento técnico, respeito à ética do montanhismo/escalada, ao meio ambiente(mínimo impacto), às pessoas e instituições envolvidas no processo.


9 – Hoje após esta reabertura, como está a procura para a escalada no local?

Quando o tempo esta bom, é bem comum as 9:00 hs a capacidade de carga ter sido preenchida em sua totalidade, ou seja, 40 escaladores.

Em determinados feriados e quando o tempo está ameaçando chuvas, costuma a capacidade de carga não ser totalmente preenchida portanto, sobram lugares.

10 – Para a difusão de notícias, avisos e convênios da AME como é feito?

Listas de discussão de escalada e montanhismo, Blogs, Jornais/Revistas e no site da AME: http://www.amescalada.org.br/

11 – Há alguma idéia para se realizar ou atualizar o guia da Lapinha?

Atualmente as áreas liberadas e suas vias para a escalada na Lapinha (PESU/IEF) estão todas contempladas nos guias do Eustáquio Júnior e Daniel Mariano “Escaladas de Minas” e Eliseu Frechou “Manual de Escalada Esportiva e Tradicional da Serra do Cipó, Lapinha e Rod”.

É importante dizer que as áreas que ainda estão interditadas a, medida do possível, serão negociadas futuramente com a Gestão da UC e essas deverão ser incluídas em um futuro guia que em nossa opinião, seria muito interessante se o mesmo fosse disponibilizado em uma versão digital, com fotos, ilustrações e croquis.

Review do DVD Reel Rock 2011

O Reel Rock Tour é um evento de filmes ,quase que exclusivamente de escalada , e idealizado pelas duas maiores produtoras do gênero nos EUA : Sender Films e BigUp Productions.

Nas primeiras edições do evento, eram exibições em poucas cidades dos EUA. Em sua maioria cinemas de cunho mais artístico, e não os Stadium Theaters, de cunho mais comercial, que dominam os EUA e Brasil. Após seis anos o evento cresceu e hoje há exibições em centenas de locais nos EUA e Exterior.

Para se ter uma idéia do crescimento do evento somente neste ano de 2011 o evento passou por Irlanda,Colômbia. Nova Zelândia, Chile, Inglaterra, África do Sul, Austrália, Suíça, Finlândia Argentina, Bélgica, Venezuela, Dinamarca, Hungria, Holanda, Lituania, Israel, Tailandia, Coréia do Sul e Polônia.

Muitas salas de exibilção nos Estados Unidos tiveram sessões esgotadas.

Muito disso pela qualidade dos vídeos exibidos, e por também ser uma forma de reunir a comunidade escaladora local em uma confraternização. Além dos filmes nos EUA há ainda a presença dos participantes de alguns dos filmes, além de outras personalidades do esporte outdoor, sorteio de brindes pelos patrocinadores e algumas palestras.

Infelizmente ainda não há exibições do evento no Brasil.

A edição deste ano de 2011 teve uma característica que os outros não tiveram que foi a ausência de um grande lançamento como atração. Nos anteriores houveram filmes aguardados com ansiedade como “First Ascent”, “Sharp End”, “Dosage 4”, “Progression” e “First Ascent – the series”.

Houve então uma maior quantidade de pequenas produções realizadas tanto pelos produtores do evento como outros produtores “emergentes” convidados ao evento.
O DVD foi liberado para a venda em novembro, e nesta última sexta-feira dia 2 de dezembro foi liberado para Download.

O preço para a compra é de US$ 24,95 (US$ 29,90 o DVD), e pode ser efetuado com cartão de crédito internacional. O filme, assim como os extras , é disponibilizado todo em alta resolução (HD – 720p) e em formato de reprodução em .mov (formato Apple Quicktime). Cada arquivo contém cerca de 1.5Gb podem ser baixados imediatamente após a compra. Com uma internet de velocidade razoável (10 mbs) toma-se cerca de 2 horas para finalizar o download.

O DVD inicia mantendo a tradição de exibição de uma versão entendida do trailer inicial divulgado pela internet. Porém na edição deste ano ao anunciar os produtores dos vídeos há o anúncio inédito que de além dos tradicionais (Sender Films e BigUp Produtions) há outros produtores . Uma novidade que tende a ser cada vez mais freqüente no evento.

Ice Revolution

O filme “Ice Revolution” foca em uma escalada nas proximidades de uma cachoeira no Canadá, Helmcken Falls – no estado de British Columbia. A cachoeira possui mais de 150 metros de altura e próximo a ela há uma parede extremamente negativa que fica coberta de gelo oriundo das gotículas.

Este tipo de inclinação em escalada em gelo (45°) é muito difícil de se encontrar na modalidade. Por conta disso os escaladores Tim Emmet (aquele mesmo que apresentou o Psicobloc em vídeos da série Dosage) e Will Gadd, um peso pesado da escalada em gelo e um dos maiores nomes da história do esporte.

O filme traz uma introdução à escalada em gelo, e em como são os campeonatos realizados. Mostram de maneira rápida as diferenças e dificuldades desta modalidade. Com um bom roteiro apresenta o desafio dos escaladores de maneira eficiente e sem muitas firulas.

A partir daí o foco do filme fica totalmente por conta da dupla de escaladores. Em uma das cenas mais impressionantes do local do desafio há uma verdadeira chuva de estalactites de gelo, que poderia machucar o mais desavisado que aparecesse embaixo da via de escalada.

Filmar em locais que há neve exige muita habilidade de quem maneja e câmera devido ao excesso de branco captado. Por esta característica louva-se a qualidade de imagens que foram captadas, sem aquele branco que cega e atrapalha na visualização de detalhes em filmes.

Com movimentos bem plásticos, e tudo isso em um frio de -14°C, o filme é muito interessante de se assistir, especialmente porque não foca os escaladores como heróis (como eram feitos em algumas produções passadas) e sim como pessoas em busca de uma escalada diferente.

O importante do filme também foi não terem inflado demasiadamente o ego de ninguém, e sim permitir que cada personagem pudesse falar de si, de seu companheiro e de sua vida.

O filme é quase que obrigatório para toda e qualquer pessoa que deseja se dedicar a escalar em gelo, devido a grande quantidade de termos técnicos, movimentos característicos da modalidade e ambiente de prática.

O filme é diversão garantida, e entretém quem assiste, sendo ele escalador ou não, pois consegue colocar na medida certa elementos que agradam qualquer tipo de platéia.

Cold

O filme “Cold” exibido no DVD da “Reel Rock” na verdade é uma edição do filme especialmente feita para ser exibida no festival.

“Cold” vem arrebatando vários prêmios em festivais de filmes de montanha por onde é exibido (e provavelmente deve ser exibido no Brasil em 2012 nos festivais existentes)e é uma produção do fotógrafo Corey Rich .

O filme é fruto de uma expedição à uma alta montanha de mais de 8000 metros no Paquistão (Gasherbrum III). Para aumentar ainda mais o desafio a expedição tinha como missão fazer cume no inverno, sob frio que chegaram até -40°C. Por este motivo pode-se imaginar o motivo do título do filme (Cold = Frio).

Apenas de ter uma simples câmera, o olhar de fotógrafo profissional de Corey fez a diferença na captação de imagens. O filme tem uma narração do próprio fotógrafo com um texto muito mais profundo e questionador do que entusiasmado.

Esta matemática incomum em filmes outdoor resultou em um filme profundo e que faz questionamentos que todos nós fazemos ao enfrentar um desafio que aparentemente é maior que nós mesmos.

Para aumentar ainda mais a dramaticidade do que vai sendo relatado a cada imagem, sempre que possível há a afirmação em diálogos dos integrantes da expedição “e está frio...”.

As imagens mostradas no filme não somente focam as paisagens brancas e tempestades de neve, típico deste tipo de filme, há também closes dos corpos de escaladores que morreram na tentativa de chegar ao cume. O detalhe destas imagens mostradas são feitas juntas com a narração em tom de dramático faz refletir sobre que tipo de aventura se escolhe ao escalar.

Perto do final na descida do cume há um incidente que surpreende a todos. A cena seguinte é muito angustiante.

O filme está com uma edição primorosa, passa a sensação de que quem assiste faz parte da expedição. “Cold” , nesta edição especial para o Reel Rock já impressiona, fazendo com que haja uma obrigatoriedade de ver o filme completo a todo e qualquer pessoa que deseja fazer uma alta montanha.

Dawn Wall

Os escaladores Kevin Jorgeson e Tommy Caldwell são escaladores consagrados pelos seus feitos e suas capacidades dentro da escalada. O filme retrata o sonho da dupla em realizar uma via considerada a mais difícil de Yosemite.

Esta mesma via nunca foi escalada em livre e sim somente em escalada artificial. A via que possui mais de 915 metros de altura de pura rocha e tem cordadas de 10a, 10b,11a até a mais difícil 11c. Todas estas filmadas com boa qualidade de ângulos e closes.

Para transpor o desafio, chegam a escalar mais no período da noite, por causa do Sol impiedoso durante o dia. Portanto ficam até às 1:30 da manhã escalando com headlamps.

As filmagens procuraram ao máximo fazer com o espectador fizesse parte da aventura, e por isso mostraram os escaladores em situações inusitadas como urinando ou usando

o shit-tube. Não são imagens bonitas de se ver em um filme, mas mostram que a escalada em locais como Yosemite não possui conforto.

O filme tem um desenrolar bem tranqüilo, e faz uso de imagens externas sem exagerar. Usando inclusive timelapse dos escaladores na medida certa, assim como a duração de cenas em que estão malhando movimentos em partes difíceis.

O roteiro do filme seguiu uma linearidade particular e característica de Josh Lowell (produtor do Filme). Ficou evidente que o produtor da serie “Dosage” amadureceu neste tempo afastado de grandes produções. O que joga bastante expectativa em seus projetos futuros.

Obe e Ashima

O filme “Obe e Ashima” é o melhor do conjunto contido no pacote da “ Reel Rock” 2011. O filme aparentemente retrata a escaladora mirim Ashima de 9 anos de idade e tida como uma grande revelação da escalada.

Digo aparentemente porque na verdade o filme mostra o lado de Obe Carrion, escalador que já foi dos mais badalados nos EUA, junto com Chris Sharma, e que acabou trilhando um caminho um tanto diferente.

O escalador que durante um período parou de escalar, voltou a morar com a mãe e se afundou em depressão e alcoolismo. O filme mostra de maneira bem realista como é que pode ser a vida de uma pessoa que abraça o esporte sem ter um plano seguro para o futuro. O emocionante relato de Obe sobre como a escalada o recuperou do buraco emocional o qual estava metido vale por todo o DVD.

Após voltar a trabalhar em uma academia de escalada em NY, Obe começa a treinar crianças para a escalada. Lá ele conhece Ashima, uma japonesinha de 9 anos que tem um talento nato para a escalada. O desenrolar do restante do filme é focando nas realizações de Ashima em campeonatos mirins.

Para o encerrramento do filme, todos vão para Hueco Tanks, zona de boulder mais importante dos EUA. Lá encontram alguns escaladores , já famosos, que ficam boquiabertos com as façanhas da menina. Suas cadenas de V10,V11 e até mesmo um V12 impressiona qualquer um.

O lado humano da menina também é retratado com elegância e eficiência, em que ela chora quando erra um movimento próximo da cadena.

O filme evidencia o grande amadurecimento de Josh Lowell, e que faz algo nunca antes motrado em filmes outdoor: para onde vão os escaladores quando velhos. Um ponto que até o momento foi pouco explorado e que foi feito com maestria pelo produtor.

O filme por ter abordado uma linha mais realista e documentária é altamente indicado para toda e qualquer pessoa.

Race for the Nose

Dentro do esporte de escalada de tempos em tempos há algum tipo de marca a ser batida, que em nada acrescenta ao esporte, e mesmo assim gera frisson com a comunidade.

A discussão sobre quem foi ou quem vai ser a pessoa que escalar mais rápido uma via em yosemite é o ponto central do filme “Race for the nose”.

À luz da razão a discussão sobre a utilidade de se escalar mais rápido a rocha The Nose em Yosemite é tão produtiva quanto discutir-se o sexo dos anjos.

A marca é tão importante, por exemplo, quanto ao do homem com maior número de tatuagens no corpo. Igualmente não irá mudar a história das tatuagens no mundo, mas é interessante de saber.

O filme trata de maneira bem americana o fato de que há várias duplas de escaladores tentando ostentar o título de escaladores que finalizaram mais rápido a conquista.

Uma disputa que foge à razão devido à repercussão e frisson que causa os resultados.

Com roteiro bem conduzido, os produtores conseguem colocar cores interessantes na disputa tão superficial, e torná-la cômica em vários aspectos.

Iniciando com um histórico da escalada do “The Nose”, até os dias de recordes impressionantes a galeria de vídeos e fotos, com seus personagens prende quem deseja ver um filme divertido, sem a pretensão de marcar época.

Neste aspecto o filme funciona bem, e prende o telespectador.

Alguns vídeos são antológicos, como os pioneiros de escalada em Yosemite e os escaladores com cabelos do George Michael e calças de lycra rosas e polainas no estilo Flashdance.

Ao final após a conclusão da escalada que desafiava a marca a ser batida ilustra bem como reagem as pessoas quando tem uma marca batida.

O do desejo de recuperação do lugar ao pódio. Apesar de TODAS as pessoas que tentaram bater o recorde dizer que a eles não importavam tal marca, estavam lá determinados a romper a barreira nem que fosse por um segundo.

O filme é divertido, e entretém. Mas só isso, está longe de ser um clássico, ou até mesmo obrigatório em termos de história e roteiro.

O que merece a atenção de quem deseja assisti-lo são todas as técnicas usadas para filmar uma escalada de quase 1000 metros de rocha em menos de 2horas, e a dramaticidade captada pelos produtores.

Sketchy Andy

O filme Sketchy Andy retrata a figura singular do americano Andy Lewis, que é considerado o primeiro slackliner profissional dos EUA.

Em poucas palavras Andy é daquelas pessoas malucas de pedra, que é gente boa e carismática que acaba por também motivar quem está à sua volta a seguir suas loucuras.

O filme com roteiro bem escrito mostra como surgiu a prática esportiva do slackline e sua popularização, introduzindo o protagonista. Ao focar mais no protagonista suas manobras, a 1 metro do chão, são impressionantes, e pouco repetidas em praticantes comuns.

A partir de declarações de amigos e pessoas que o cercam houve a idéia de mostrá-lo fazendo highline, e executando saltos do slackline de esfriar a barriga de quem assiste, pois as probabilidades de acidente fatal são bem grandes.

Porém Andy parece não se importar, pois como mostrado no filme seu histórico de atos imprudentes nos esportes que praticou é constante.

O filme, porém, parece se perder a partir do meio, pois apenas se preocupa em focar nas atitudes insanas de Andy , tanto no slackline quanto em atos corriqueiros do cotidiano. Para exemplificar mesmo uma “simples” travessia em um cânion, faz questão de ele e outros companheiros fazer pelado.

Ao final do filme realizam um rope-swing de 200 metros com cada pessoa da equipe de filmagem para que mostrasse os créditos. Um final muito criativo, para um filme que está longe de ser o melhor trabalho de Peter Mortimer.

Uma oscilação de seu trabalho conhecido por ser de tanta qualidade e vanguarda que não é comum ao produtor, que ainda tem, e muito, crédito com a comunidade outdoor por seus trabalhos.

Os Extras

Algo que ainda precisa ser trabalhado em filmes outdoor é os extras contidos nos DVD´s vendidos. No caso do “Reel Rock”, há vários minutos apenas com anúncios (muito bem produzidos, é verdade) dos patrocinadores.

Há nos DVD´s ainda os ganhadores do concurso de vídeos de internautas votado por público e crítica os quais contém muito bom humor.

Finalizando os extras há trechos de cada filme que acabaram cortados no momento de ir ao ar, e alguns (mas não muitos) bloopers.

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